terça-feira, 29 de maio de 2012

incomplete 2

Ele sabia que algo estava errado do momento em que ela desviou o olhar e hesitou em responder -- ela nunca o fazia;argumentos eram algo que parecia nunca faltar para a rosada,como se ela tivesse pensando no que dizer a muito tempo,e aqueles olhos verdes que sempre o encaravam nessas situações,sempre tão penetrantes.Mesmo assim,nada o preparou para isso.

Ele a viu levantar a mão e esfregar a testa,o movimento lento e fraco,como se seu braço pesasse muito mais do que deveria;ela parecia ter perdido o equilibrio,e ele resistiu o desejo de se aproximar e estabiliza-la,força-la a olhar para ele e pergunta-la o que aconteceu.Ele lutou contra a onda de preocupação que o invadiu,tentando se convencer que era idiotice,que ela estava bem,e que ele não deveria ligar,em primeiro lugar.Contudo,no momento em que ela caiu em seus braços,isso se tornou uma tarefa impossivel para ele.

Ele a chamou em uma maneira quase desesperada e,mesmo não fazendo o seu tipo,ele não teve tempo para pensar duas vezes sobre isso.Ele entrou em panico -- não tinha como negar. Tudo parecia acontecer em camera lenta,era como se a pior cena de um filme de terror tivesse passando em frente a seus olhos:ela,inconsciente,fraca,vulneravel.

"Sakura!"ele a chamou enquanto ficava de joelhos,ainda segurando-a firme em seus braços.A balançou levemente e a chamou novamente,com esperança de que ela abriria os olhos,gritaria com ele por estar tão proximo à ela,se levantaria e lançaria um de seus olhares mortais em sua direção,que ela faria tudo para mostra-lo que ela estava bem.Por um momento,ele desejou que isso fosse um sonho,um pesadelo,mas a realidade veio com tudo antes mesmo de ter a chance de começar a orar para acordar.

Estava mesmo acontecendo.Ela estava ali,em seus braços,inconsciente,e ele estava ali,segurando-a,sem saber o que fazer,ciente de que teria que fazer alguma coisa.Ele não podia apenas dizer que não ligava -- isso era sério, ele não podia ficar brincando. Ela precisava dele agora -- ela precisava se sentir segura,protegida;ela precisava que ele tomasse conta dela,cuidasse dela,ter certeza de que ela estaria bem.Ela precisava dele,ponto final.

O que era isso?E por que,subitamente,ele se sentiu mais do que pronto para dar tudo que ele tinha e até mais?

Ele não sabia a resposta para isso e provavelmente nunca saberia.

Seu corpo estava muito menor e fragil -- ele sentia que qualquer movimento,mesmo o mais pequeno e tenro, iria machuca-la, quebra-la. Debaixo daquele sobretudo que o fez reagir tão mal, suas roupas estavam molhadas, grudando em sua corpo como se fosse uma segunda pele;suas mãos estavam frias,seu rosto palido, seus cabelos rosados estavam molhados.

Ela não parecia bem -- ele não gostava disso.

Era obvio que ela tinha andado na chuva.Agora,a questão era,por quê?Ela tinha um carro e ele sabia que ela gostava de usa-lo -- ele nunca tinha a visto sair de casa sem as chaves de seu carro.Sempre que ela saia,seu carro ia junto.

Talvez ela quissesse andar,mas por que na chuva? Será que ela não tinha percebido as nuvens escuras se juntando no céu? Será que...será que ela não ligou? Todos os tipos de perguntas estavam correndo por sua mente,o confundindo, o fazendo quase desesperado por respostas,mas elas sempre pareciam desaparecer sempre que seus olhos caiam sobre sua fragil figura novamente.Ele não tinha tempo para isso.

Seu principal foco era ela.

~~

Quando ela acordou,não podia se lembrar exatamente de tudo o que acontecera.Sua mente estava bagunçada,algumas partes de sua memoria faltando,e sua cabeça doia como nunca,pior do que ela se lembrava.Seus olhos estavam pesados demais até mesmo para tentar abri-los,e seu corpo parecia não estar sob seu controle mais.Ela não sabia onde estava, ou como ela chegou ali -- com cada pergunta,sua cabeça parecia doer ainda mais,e logo desistiu de encontrar respostas.

Mas não estava mais com frio,ou se sentindo pessima.De fato,se sentia confortavel.Estava deitada em algo suave e confortavel;seu corpo estava coberto com algum tipo de material que ela conhecia muito bem,mas não podia dizer o que era;de qualquer forma,era suave e quente.Era maravilhoso -- de alguma forma a acalmou.

Tinha algo com esse lugar que a fazia se sentir segura,a salvo.De alguma forma,ou outra,ela sentiu como se nada pudesse dar errado ali -- como se nada pudesse alcança-la,menos ainda machuca-la.

À medida que foi recobrando a consciencia,percebeu que não estava sozinha nesse lugar.Ouviu vozes ao seu redor,pessoas falando sobre alguma coisa que ela não estava conseguindo entender.Apenas pegou trechos da conversa,ainda sem conseguir entender o que estava acontecendo,atiçando sua curiosidade.

"...ela...bem...?"

"Ela...esposa está...apenas...resfriado...descanso propicio...remedio...fique..."

Algumas outras palavras foram trocadas entre as duas pessoas,palavras que ela não conseguia discernir,mesmo se esforçando para entender.Ouviu passos,e depois nada -- silencio a envolveu de uma maneira que a fez se questionar se estava sozinha,ou tinha dormido novamente.Apenas um momento depois --e ela não fazia ideia de quanto tempo se passou exatamente -- que ela ficou atenta ao movimento ao seu redor.

Ouviu um click baixo,seguido por passos silenciosos e,dessa vez,ela encontrou força para abrir seus olhos.Estava desorientada,de inicio,por não ter reconhecido quem estava ali,mas,logo que seus olhos cairam nele,tudo voltou com força.Se lembrou da briga com seu pai,quando saiu correndo da casa,quando colidiu com Naruto.Se lembrou como ele conseguiu,novamente,faze-la se sentir melhor;se lembrou de ter entrado em seu carro e dirigir em direção a sua casa.

Se lembrou como Sasuke tinha gritado.E depois,tudo ficou escuro.

Olhando ao redor,ela tentou achar algo familiar,algo que a fizesse perceber onde estava,mas,logo,desistiu.Seus olhos cairam nele mais uma vez,e ela abriu a boca para falar,sabendo que,se tinha uma pessoa que poderia responder suas perguntas,essa pessoa era ele. "Onde eu estou?" sua voz estava rouca e fraca,como se ela tivesse dormido por uma semana e não tinha comeu durante esse tempo.

A resposta veio imediatamente,embora fosse uma inesperada."No meu quarto."ele falou calmamente,sua voz sem nenhuma emoção.

'O que?' pensou,franzindo as sobrancelhas.'O que eu estou fazendo no quarto dele?'.Definitivamente ela não fazia ideia como ela chegou,ou o que ela estava fazendo ali.Mas agora que ela pensava nisso--e agora ela sabia disso-- se ela tivesse se concentrado mais,ela provavelmente saberia de quem aquele quarto era.Era exatamente como ela tinha imaginado: escuro,simples mas sofisticado,elegante,e...a cara dele.

Uma parte dela amou as janelas que iam do chão ao teto mais do que qualquer coisa.Outra parte dela,entretanto,amou a cama -- grande e confortavel,com lençois azul-escuro que esfregava contra a suavidade de sua pele todo momento em que ela -- espere um pouco.Suavidade de sua pele?Certamente ela se lembrava estar vestida.

Ofegando,se sentou bruscamente,suas mãos imediatamente segurando os lençois contra o seu quase nu peito.
"O que você fez comigo,seu pervertido?" gritou, subitamente se sentindo mais do que pronta para quebrar sua cara.Contudo,em menos de um segundo,ela já podia sentir os efeitos de seu subito movimento -- sua visão embaçou, sua cabeça começou a latejar novamente, e demorou um tempo para ela apenas sentar direito.

Entretanto,ele achou a sua reação um tanto divertida -- e não tinha como negar -- a mente de Sasuke parecia se concentrar apenas no bem estar da rosada. "Facil" ele murmurou,enquanto ele rapidamente se aproximou e sentou em sua cama,suas mãos segurando seus ante-braços para estabilizar-la. "Você desmaiou"ele explicou,"e suas roupas estavam molhadas -- eu tive que tira-las" sua voz era calma e suave,como se ele estivesse assegurando-a que não tinha feito nada de errado.

Obviamente,ela sabia que ele não tinha feito nada.Sua reação tinha sido apenas resultado de sua mente sonolenta,provavelmente.

Com um suspiro,ela fechou os olhos e se encostou na cabeceira da cama,seu cerebro trabalhando para por tudo junto.Ele tinha tomado conta dela -- de todas as pessoas que podiam possivelmente fazer isso, foi ele a faze-lo.Ninguém -- e quando eu digo ninguém,eu realmente quero dizer absolutamente ninguém -- tinha tomado conta dela daquela forma.Claro,tinha seu irmão,quem sempre tomou conta dela  quando ela estava doente ou simplesmente não se sentindo bem,mas isso era diferente.

Ela era feliz naquela epoca;contudo,agora,ela se sentia mais exausta emocionalmente que qualquer outra coisa.Naquela epoca ela sabia que tinha algumas pessoas que ligavam para ela,a amavam;agora,ela não tinha muita certeza.Seu pai a odiava,sua mãe não ligava nem um pouco para ela,não tinha amigos -- se você excluir Naruto,claro -- e seu marido provavelmente nem sabia que ela existia.

Pelo menos era o que ela achava.Não preciso te dizer que ela não esperava por isso.Agora que ela pensava sobre isso,se ela soubesse que isso aconteceria,ela esperava que ele a levaria para o hospital,ou ligaria para uma das empregadas ou algo assim;ela nunca pensou que ele cuidaria dela.

Mas foi ele quem carregou,ele quem prestou atenção a um detalhe insignificante como suas roupas molhadas,foi ele quem a despiu,foi ele quem chamou o médico -- agora ela sabia a quem aquela segunda voz pertencia -- e era ele quem estava ali agora.

Ele estava ali.

Em pensar que ele tinha feito tudo aquilo logo depois de gritar com ela, depois de ter deixado muito claro --mais uma vez -- que ele não dava a minima para ela.Como isso era possivel?Por que ele faria tudo aquilo,se ele não ligava?

'Porque você é a esposa dele.' uma parte dela a lembrou.'Imagine como iria parecer se ele tivesse deixado você ficar doente.' Provavelmente,aquela parte racional dela estava certa: Qual outra razão ele tinha?Nenhuma,ela acreditava.Não era como se algo importasse mais para ele do que sua imagem,seu trabalho,sua companhia.O resto podia ir para o inferno.Tudo,incluindo ela.

Mas isso é outra coisa.Ela aprendeu,tempos atras,a não pensar sobre essas coisas,parar de tentar achar uma razão,uma explicação para tudo que ele fazia.Ela não podia entender,isso apenas conseguia, de um jeito ou de outro, machuca-la mais,e,com certeza,não era da conta dela.Dessa vez,a questão era,ele tinha tomado conta dela -- suas razões não importavam.

"Obrigado." ela sussurrou,abrindo seus olhos e o encarando.

"Você está bem?"ele perguntou,não gostando do que via em seus olhos.Dor,tristeza,confusão,cansaço...era muito,até mesmo para ele.Sasuke estava acostumado a ve-la irritada,com raiva e,na maioria das vezes,fria e distante,que era estranho ve-la...assim.

E não era estranho bom;não,certamente não era.Por alguma razão,isso o apavorou;o fez querer fazer algo a respeito,o fez querer aperta-la contra seu peito e limpar todas essas emoções de seus olhos.Isso o fez querer,pela primeira vez,fazer-la feliz.

Faze-la feliz.O que isso significava?Ele não sabia.Tudo o que ele sabia era que,mesmo que fosse a coisa mais estranha,tão fora de si e tão,tão irritante,ele não ligava.Ele apenas queria prestar atenção nela,ter certeza de que ela estava bem,faze-la perceber que ele ligava,o resto podia esperar.Sua mascara de frieza,suas atitudes de sempre,seu comportamento normal -- tudo podia esperar.

A rosada estava,mais uma vez,surpresa pelas suas palavras,e ela o encarou sem saber o que responder.Por um momento,ela pensou estar sonhando,pois aquela pessoa que estava em sua frente não podia ser seu marido.Definitivamente,não podia,ela decidiu,balançando a cabeça.Contudo,suas palavras chamaram sua atenção antes que ela pudesse se beliscar,com esperança de acordar.

"O que aconteceu com você?" Ela não percebeu imediatamente sobre o que ele estava falando;foi apenas quando ela sentiu sua mão esfregar contra sua --provavelmente rocha,agora-- bochecha,que ela entendeu.

Mesmo que ela estivesse disposta a dizer que nada aconteceu,que não era problema dele,e que ele não deveria ligar,em primeiro lugar,ela logo percebeu que era simplesmente impossivel.Suas memorias a atingiram como uma tonelada de tijolos,fazendo ser quase impossivel manter as lagrimas nos olhos.

"Meu pai..."ela suspirou,sua voz suave e tremula.

Os olhos de Sasuke escureceram."Satoru?"perguntou sem acreditar.'Que tipo de pai faria algo assim?' um estranho sentimento enrolou seu estomago,um que ele nunca tinha sentido antes,mas que ele logo foi capaz de reconhecer: proteção.Por que Satoru tinha batido nela ele não sabia,mas suas razões não importavam tanto quanto suas ações-- Quem ele pensava que era?Que direito ele achava que tinha para fazer o que ele fez?Não importava que ele era seu pai -- ninguém,absolutamente ninguém,tinha o direito de toca-la,de machuca-la.

Mas antes que ele pudesse perguntar os detalhes,ela explodiu em lagrimas, sem conseguir controla-las mais; isso era demais."Eu estou cansada disso...!" ela sussurrou enquanto enterrava o rosto nas mãos,não percebendo o jeito que seu corpo inconscientemente se inclinou em direção dele."Eu cansada de tudo..."

Ele não sabia o que fazer -- ele realmente não sabia.Ninguém nunca tinha quebrado em frente a ele desse jeito,muito menos Sakura;a rosada sempre pareceu tão forte,como se nada pudesse afeta-la.E talvez ela fosse desse jeito apenas quando ele estava por perto,mas isso não importava -- essa era a unica Sakura que ele conhecia.Nem precisa dizer que ele nunca imaginou enfrentar uma situação dessas.

Contudo,seu corpo parecia saber exatamente o que seu cerebro não sabia,e seus braços agiram quase com vontade propria quando eles lentamente,hesitante,envolveram sua pequena forma,puxando-a para si.

Ela ofegou atraves das lagrimas,não esperando ele fazer isso,mas não disse nada -- ela precisava de conforto muito mais do que qualquer outra coisa,e decidiu que,apenas por um momento,deixaria sua guarda baixa perto dele.Suas mãos apertaram sua camisa e ela se aconchegou ainda mais perto dele,enterrando seu rosto na curva do pescoço dele.

Envolta pelos seus braços,parecia menor e mais fragil que antes,e o desejo de protege-la cresceu,fazendo-o apertar mais o abraço.Lentamente,ele percorreu sua mão para cima e para baixo em suas costas nuas,e plantou suaves beijos em seu cabelo,tentando acalma-la,conforta-la.Palavras não eram necessárias -- ele sabia disso e,pelo jeito que ela estava se aconchegando nele,parecia estar certo.

Ele odiava ve-la chorar.Era como se ele tivesse sentindo sua dor,como se...seja o que for que aconteceu tinha o mesmo efeito nele,como tinha nela.Isso a deixou tão vulneravel,a fez baixar a guarda na frente dele.E ele não gostou disso -- de certo modo,ele sabia que não merecia isso.Afinal,tudo o que ele sempre fez foi machuca-la -- ele sempre a tratou com o mesmo interesse que alguém trataria um cachorro de rua.Ele nunca tinha perguntado para ela o que tinha acontecido quando ela estava triste,ele nunca tinha dito uma palavra que não fosse para machuca-la,ele nunca tinha se importado em dizer um mero 'Oi'.

Em outras palavras,ele tinha sido o pior marido que já existiu.E enquanto tantas pessoas poderiam culpar seu pai -- porque tinha sido ele a arranjar esse casamento -- Sasuke sabia que ele não o faria.Porque ela tinha tentado fazer isso funcionar.Ela também não queria o casamento -- era obvio que tinha destruido qualquer plano que ela algum dia teve -- mas ela,diferente dele,tentou fazer funcionar.

Mas Sasuke nem prestava atenção aos seus esforços,e,quando ele o fazia,suas palavras só serviam para feri-la -- no final,foram suas palavras que a fizeram desistir,que a fizeram agir da forma a qual agia hoje.Vocês devem estar imaginando o por quê de ele ter a feito desistir.Bom,nem mesmo agora,ele não fazia ideia do porquê -- ele nunca teve uma razão,em primeiro lugar.Ela era linda e inteligente e gentil e tão,tão diferente dele,e possivelmente tudo o que ele poderia querer em uma mulher.E era tão frustrante que ele teve que conhece-la sob essas circunstancias,que o relacionamento deles começou do jeito errado.Era tão frustrante que ele tinha agido daquele jeito,que ele tinha machucado-a daquela forma.

Mas,mais do que qualquer coisa -- e do nada -- era frustrante que seus pensamentos não faziam mais sentido.Desde quando ele pensava daquele jeito?Desde quando ele se arrepende das coisas?Desde quando ele admitia ser um idiota com ela?'Isso não está certo' ele disse a si mesmo.

Estar tão proximo dela estava provavelmente bagunçando tudo.Mas,logo quando ele tentou se afastar,ela choramingou e se aproximou mais ainda dele."Não vá." Seu sussurro foi tudo o que precisou para quebrar sua determinação."Por favor..."

Ela sabia que era errado.Ela sabia que era muito,muito errado.Ela sabia que iria se arrepender disso.Mas ela não conseguiu ligar.Nesse ponto,sua mente,seu corpo,seu coração,tudo o que ela queria era a proteção e o conforto que ele a estava oferecendo por simplesmente segura-la em seus braços.De certo modo,aqueles poucos minutos valeriam a dor  que ela sentiria depois -- valeriam mais do que isso.

Sasuke podia jurar que nunca tivera tantos sentimentos em conflito antes -- de fato,ele duvidava que ele já tinha sentido algo assim.Uma parte dele queria sair e ficar repetindo que ela estava o confundindo,que ela estava bagunçando tudo,e que ela definitivamente não valia isso -- não valia sacrificar a mascara que ele usava,não valia a confusão, não valia nada.Outra parte dele -- uma parte que estava lentamente ganhando -- o disse para ficar com ela,conforta-la,protege-la,ter certeza de que ela ficaria bem.O disse para não deixa-la assim -- lhe disse para,pelo menos uma vez,fazer o que ela pedia.

De alguma forma,não era surpreendente que aquela parte tinha vencido.Porque nem mesmo ele poderia deixa-la sozinha nessa situação -- ou talvez era apenas ele que não conseguia.

Daquele momento em diante,Sasuke não pensou.Apenas agiu.

Com um suspiro,ele se moveu um pouco fazendo-o deitar na cama,nunca deixando-a; sua reação foi imediata -- seu corpo se enroscou ao seu redor,seu rosto ainda na curva de seu pescoço,enquanto um de seus braços abraçou sua cintura.

"Você quer falar sobre isso?" ele perguntou,seus labios esfregando contra sua testa, em uma tentativa de aliviar a confusão que ela sentia.Alguma coisa no fundo de sua mente o dizia que era porque ele esperava que se ela o dissesse o que aconteceu,ela se sentiria melhor;também o deixou ciente de que,agora,ele era muito capaz de ir lá e tirar os dias de luz de Satoru.,mesmo sem saber o que tinha acontecido.Ele ignorou o primeiro,mas não o ultimo.

Sua unica resposta foi um leve balançar de cabeça,indicando que ele não ganharia as respostas -- não dela,não tão rapido.E,agora que ele pensava sobre isso, era bem normal que ela não quisesse conta-lo o que aconteceu -- o que quer que seja que tenha acontecido,era obvio que a machucava apenas de pensar nisso.Falar iria levar isso para um nivel completamente diferente.

E,embora ele soubesse que não deveria estar nessa situação,Sasuke não podia deixar --por uma razão ou outra --de se sentir bem por ela ter outra razão de não querer falar.Ela não queria falar por ele ser quem era,e porque ele a tratava como lixo desde a primeira vez que a conheceu -- não, ela não queria falar simplesmente porque doia muito.

Não fazia sentido,ele sabia.Ele tinha acabado de descobrir que ve-la machucada não era bom para ele,para sua sanidade,e mesmo assim, o fez se sentir melhor,de certo modo.

Não importava o que,contudo,ele preferia que ela não falasse com ele pois o odiava,do que ve-la chorar por estar machucada.Obviamente,tudo isso aconteceu sem ele saber o porque dele sentir todas essas...coisas idiotas.

Mas quando outro soluço saiu de sua garganta,ele percebeu que não podia ligar menos para isso.Ele teria tempo para pensar nisso depois,porque,assim como um pouco mais cedo naquele dia -- assim como,mesmo ele não tendo percebido ainda,tinha sempre sido -- ela era sua prioridade maxima,quem precisava de seus cuidados.

Ele não soube dizer quanto tempo passou até que suas lagrimas cessassem,seus soluços se tornando suspiros e fungadas;ele continuou segurando-a fortemente contra seu peito,seus dedos correndo pelo belo cabelo rosa,mesmo quando o cansaço e tudo o que tinha acontecido naquele dia finalmente a venceram.

Pela primeira vez,ele a segurou enquanto dormia.Ele envolveu seus braços ao seu redor.Observou-a.Deixou-a se aconchegar nele.Brincou com seu cabelo e fez carinho em sua bochecha.E a simples forma em que seu pequeno corpo se completou contra o seu,o simples calor que lhe deu,o fez nunca querer deixa-la.

Ele podia jurar que te-la daquela forma era a melhor coisa do mundo.

~~

Quando Sakura acordou,Sasuke não estava mais com ela.Seu calor,junto com a proteção e o conforto que lhe tinha oferecido,se foram.Apenas sua essencia ficou,grudada nos travesseiros e em tudo ao seu redor.Com um suspiro,abriu os olhos e escaneou o quarto,gostando do fato que sua visão não embaçou toda vez que movia seus olhos.Ela já tinha ficado bem antes -- chorar sempre ajudava.Embora não tivesse certeza se foi o fato de ela ter chorado,ou se fora a presença do moreno.

Resolveu acreditar que foi a mistura dos dois.

Após um pequeno e silencioso bocejo escapar de seus labios,se virou se espreguiçando,antes de afundar o rosto no travesseiro e agarrar os cobertores.Deus,como ela gostaria de acordar naquela cama todos os dias.Não importava que ele não estava ali -- não,o simples fato de que ele esteve ali já era o suficiente para ela.

Ela tinha tantas perguntas que precisavam ser respondidas,e não tinha duvidas que a confundiu de uma certa forma,mas ela nem se incomodou em tentar achar respostas -- ela sabia que não as acharia.E,realmente,a esse ponto,ela nem mesmo precisava delas.Nem mesmo suas razões ou o fato de que ela provavelmente nunca mais veria esse lado dele novamente,a incomodavam.Não mais.Porque,naquele momento,ela estava mais do que feliz por ter vivido essa experiencia.

Sakura imaginou se o que ele tinha visto mais cedo tinha sido um espirito que o possuiu,mas ela apagou esse pensamento.O que seja que tinha acontecido,foi bom.

Reviver isso era pedir muito -- ela sabia disso-- e ela não o faria.Ela queria,sim,mas não podia.

Sasuke era uma pessoa fria,e ela sabia que ele ter tomado conta dela não era muito a cara dele.Ela também sabia que ele sabia,e que provavelmente ele não iria querer repetir,e iria agir como se nunca tivesse acontecido,em primeiro lugar.Era estranho,sentir que o conhecia tão bem,saber o quais seriam seus proximos passos.

Com um suspiro,lentamente se sentou,vendo os cobertores descerem pelo seu corpo -- ela sabia que não estava coberta por eles quando começou a chorar,quando ele a abraçou e a empurrou para deitar com ele na cama.Seus olhos novamente passaram pelo quarto,vendo o robe rosa pequeno,de seda,apoiado na cadeira -- definitivamente,não pertencia a Sasuke.

Embora estivesse confusa e surpresa,não pode impedir o sorriso de se espalhar por seu rosto.O fato de que ele tomou conta dela e a confortou era uma coisa;o fato de que ele pensou e se importou o bastante para ir até seu quarto e lhe trazer algo para vestir era outra.Saindo da cama,ignorou seu estado -- vamos dizer quase -- sem roupa, e caminhou lentamente até a cadeira. Logo colocou o robe e andou em direção a porta.Não tinha certeza se ele ainda estava em casa,mas ela pensou que talvez ele estivesse -- afinal,era Sabado.

Ela estava certa; enquanto descia as escadas,o viu na sala de estar, de costas para ela.Ele deve ter sentido sua presença, pois se virou quase imediatamente,seus olhos frios novamente.

Sakura não percebeu de primeira, por que ele a estava olhando com aquele olhar frio -- sua mente não podia processar o fato de que aquele era o mesmo homem de algumas horas atrás -- mas assim que ela viu o sobretudo em suas mãos,entendeu tudo.

''Você estava tão mal,que precisou ir dormir com outro?''


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